sexta-feira, 29 de outubro de 2010

O que o Serra deveria ter dito. E repetido!

Se eu fosse José Serra, contaria que a crise de 2008 começou com a quebradeira de bancos americanos. 

O discurso de Michael Douglas no filme
Wall Street, o Dinheiro Nunca Dorme mostra com clareza a loucura do mercado financeiro nos Estados Unidos. Os bancos emprestavam sem critério, os americanos compravam sem limites e o governo Bush gastava sem compromissos com  o que arrecadava. Vendo o filme, qualquer brasileiro minimamente informado  pensa:  bendito Plano Real, bend ita Lei de Responsabilidade Fiscal e bendito Proer que permitiu um severo controle dos bancos brasileiros.
Na Europa,  os ajustes para enfrentar as mudanças na conjuntura internacional também não foram feitos. Resultado: crise.
No Brasil, um governo populista colocou na conta do presidente a boa fase do país. A  bonança mundial era Lula. Bastou um ano de governo para transformar em bendição o sofrimento do povo brasileiro.
Aqui, não se conecta a boa fase ao crescimento dos países asiáticos e sua demanda, à valorização das commodities e, principalmente, aos ajustes que foram feitos na década de 1990.
Nem se diz que os PIBs e as taxas de emprego da África e da América Latina, em países que exportam commoditties, também estão crescendo.
Aqui, não se fala da pujança da Ásia e das transformações na economia mundial. Aqui, somos autistas

·
         Se eu fosse Serra, eu mostraria a verdadeira herança maldita e as turbulências da década de 1990.
queda do Muro de Berlim, em 1989, expôs a falência dos países comunistas do leste europeu e da Ásia. Abertas as economias fechadas, o mundo ficou mais pobre.
Década  Perdida, anos 80, da América Latina foi gerada por governos que, sem visão macroeconômica e sem mecanismos eficazes de controle financeiro, levaram seus países à bancarrota e à hiperinflação.

Assim, após mais três planos econômicos de contenção, a década de 1980 encerrou-se com
o Brasil às portas da hiperinflação, com a marca de 1764% ao ano em 1989, chegando ao máximo de
6584% par a o período dos últimos 12 meses, em abril de 1990.
Para evitar uma crise mundial de gigantescas proporções, não havia espaço para populismos baratos e o remédio era amargo.
A receita era austeridade e reformas, medidas que não deram votos, mas garantiram estabilidade para o país.

 

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Ele conviveu com a Dilma. Vejam o que diz Paulo Ruy Carneli, ex-secretário de saneamento e habitação do Espírito Santo - Parte 2

 Para fazer o contraponto, convivi muito com o Gesner Oliveira, presidente da Sabesp, e com a Dilma Seli Pena, Secretaria de Energia e Saneamento do Governo de São Paulo, que trabalham diretamente com o Serra, pessoas de alto nível, extremamente preparadas.
 Mas, o pior mesmo foi conhecer diretamente a Dona Dilma Roussef, com a qual convivi em quatro reuniões. Em duas ela destratou de forma grosseira e covarde alguns de seus subordinados ou colegas de Governo. Em outra respondeu ao vice-governador Ricardo Ferraço, que o ES já tinha feito o dever de casa e por isso não deveria receber recursos a fundo perdido da União. Rio e Bahia, por razões óbvias, levaram mais de R$800 milhões cada. Nós só conseguimos empréstimos.
 Daí mais um ponto importante, os capixabas já sofreram com um governo estadual petista diretamente e muito. Agora estão aí aeroporto, porto e estradas, responsabilidades federais no Estado, sem investimentos durante os oito anos de Lula e ainda a saúde e segurança pública, responsabilidades estaduais tocadas pelo Governo Paulo Hartung com enorme esforço de recursos, sem nenhum apoio especial de Brasília.
 Ainda sobre a Dilma, numa viagem que fiz ao exterior a convite do Banco Mundial, com funcionários do Governo Federal e de alguns estados, o responsável principal pelo grupo, em nome do governo brasileiro, foi o Eng. Luiz Antonio Eira, funcionário de carreira da Câmara e então Secretário Executivo do Ministério da Integração. Um cara tranqüilo e muito legal. Por coincidência, logo depois de voltarmos, li no jornal que ele abandonou o cargo ao ser tratado de forma extremamente mal educada pela Dilma em uma reunião de trabalho. Tinha o cartão dele e liguei e ele me confirmou meio constrangido que ficou pasmo com o comportamento dela quando defendeu sua posição e que a grosseria foi tão grande que ele levantou e saiu da sala imediatamente, preferindo deixar o Ministério e voltar a trabalhar em seu local de origem. Podem procurar na internet, colocando o nome dele no Google e verificar o fato.
 Os avanços estruturantes do Governo FHC e as conquistas sociais do Governo Lula, não estão mais em debate. Serra já deixou claro que vai aperfeiçoar uns e ampliar outros. O segundo turno foi ótimo pra permitir o debate mais claro e demonstrar a diferença entre os postulantes ao cargo. Aliás, já ocorreram dois debates e me surpreendo que muitos não se esforcem para assisti-los, mas quem assistiu não pode ter dúvidas sobre quem é melhor.
 Há muito deixei de acreditar em partidos e em radicalismo na política. Por isso mesmo não acredito mais no argumento de “votar no PT”, usado por alguns como se fosse um ato político justificado, pois esse já se tornou um partido pior que os outros, com praticantes de falcatruas que contam com a conivência daqueles que governam. Afinal, sucessivos escândalos e um enorme escárnio com a ética, que ninguém pode negar, também foram marcas do Governo Lula.
 Muito menos venha me falar em votar na Dilma, como a única capaz de levar adiante as conquistas do Lula para os pobres. Alias é o fim da picada essa tal campanha usando tanto a pobreza. Quando leio sobre a vida levada nos bastidores do Palácio, cujos cartões corporativos escondem um verdadeiro esculacho com o dinheiro público... fico pensando na diferença entre o discurso e a prática.
 Insistir na Dilma, por causa do Lula, é um equívoco, sem qualquer garantia,que pode ter conseqüências muito negativas.
 Esse é certamente um momento de extrema importância, por isso peço o voto no Serra para termos um Brasil melhor.
 Quem achar que vale a pena, peço que retransmita.

 Paulo Ruy Carnelli"


Ele conviveu com a Dilma. Vejam o que diz Paulo Ruy Carneli, ex-secretário de saneamento e habitação do Espírito Santo - Parte 1

 "Prezados,

 Já recebi de diversas formas o pedido de voto no Serra, mas resolvi fazer o meu de forma particular. Com base no que vivenciei durante os últimos oito anos. Serei breve, espero que leiam até o final.
 Acho que o PSDB foi muito mal como oposição durante os oito anos de Lula. Aliás, mesmo com o mensalão e outros problemas no campo ético, a oposição foi mal.
 Penso também que o Lula surpreendeu, principalmente porque deixou pra trás muito do que defendia e adotou na economia a continuidade do governo de FHC.
Juntando isso com o bom momento da economia no mundo, teve sabedoria e ousadia pra ampliar os projetos sociais já existentes e conseguiu grande reconhecimento.Ou seja, de certa forma Lula surpreendeu e conseguiu popularidade em função de bons resultados em algumas políticas. Mas os avanços na gestão do país foram pífios, e em geral houve retrocessos em muitas áreas. Principalmente no campo da ética.
 Muito, mas muito mesmo de seu desempenho positivo nas avaliações, se deveu à sua enorme capacidade de comunicação, inclusive a capacidade de falar qualquer coisa que o interlocutor do momento queira ouvir. Parecido com o que fez o Collor pra ganhar do próprio Lula. Talvez não seja a toa que se encontraram e sejam agora parceiros. Porém não dá pra tirar os méritos de suas conquistas em relação à grande parcela do povo brasileiro.
 Mas, daí a querer impor aos brasileiros uma candidata a Presidente, é sem dúvida um exagero. Impor ao PT já foi demais, mas Dilma foi o que sobrou de um time que foi ficando desfalcado por safadezas: Zé Dirceu, Palocci,Genoíno, ou incompetências: Martha, Tarso, Mercadante e outros.
 O primeiro turno felizmente mostrou que há uma enorme diferença entre ser pessoalmente popular e fazer todos votarem em quem ele apontar. Dos mais de 111 milhões de brasileiro que foram às urnas no primeiro turno, entre brancos, nulos e os que votaram nos demais candidatos, foram mais de 63,5 milhões de eleitores. Ou seja, apesar da popularidade do Presidente, mais de 57% dos eleitores não o seguiu, e a eleição foi para o segundo turno.
 Aí começa o meu relato pessoal. A pior coisa desse Governo, que eu conheci de perto na área em que atuo é, sem sombra de dúvidas o “aparelhamento da máquina”. É um retrocesso, que deixa seqüelas graves no longo prazo. No Ministério das Cidades, onde estão o saneamento e a habitação, representei os colegas Presidentes de Empresas e também por um tempo os Secretários Estaduais nos debates com os petistas lá instalados. É uma panelinha, já velha conhecida no setor, em sua maioria paulistas despreparados e presunçosos, cujo currículo é a estrelinha. Sequer respeitam ao Ministro ao qual são subordinados.
No tal Conselho das Cidades, brincam de práticas “socialistas”, cooptando de forma descarada os representantes que ali vão, pessoas humildes, que viajam para Brasília às centenas, pagos com o dinheiro público, pra aprovar o que eles querem, em reuniões dirigidas, um horror. Duvido alguém de bom senso participar de uma reunião daquelas e não voltar estarrecido. Ninguém me contou, debati e briguei com eles ao vivo. A Dilma não conseguiria controlar essa turma.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Para não esquecer jamais! Veja, ouça e vote na Dilma, se for capaz.

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Previsões do ator Carlos Vereza para o ano eleitoral de 2010. Ele acertou?

2010: Cristais quebrados  *Carlos Vereza
Não é necessário ser profeta para revelar antecipadamente o que será o ano eleitoral de 2010.
Ou existe alguém com tamanha ingenuidade para acreditar que o “fascismo galopante” que aparelhou o estado brasileiro vá, pacificamente, entregar a um outro presidente que não seja do esquema lulista os cargos, as benesses, os fundos de pensão, o nepotismo, enfim, a mais deslavada corrupção jamais vista no Brasil?
Lula já declarou, que (sic) “2010 vai pegar fogo!”. Entenda-se, por mais esta delicadeza gramatical, golpes abaixo da cintura: dossiês falsos, PCC “em rebelião”, MST convulsionando o país… que a lei de Godwin me perdoe - mas assistiremos em versão tupiniquim, a Kristallnacht, A Noite dos Cristais que marcou em 1938 o trágico início do nazismo na Alemanha.
E os “judeus” serão todos os democratas, os meios de comunicação não cooptados (verificar mais uma tentativa de cercear a liberdade de expressão no país: em texto aprovado pelo diretório nacional do PT, é proposto o controle público dos meios de comunicação e mecanismos de sanção à imprensa). Tudo isso para a perpetuação no poder de um partido que traiu um discurso de ética e moralidade ao longo de mais de 25 anos e, gradativamente, impõe ao país um assustador viés autoritário. Não se surpreendam: Há todo um lobby nacional e internacional visando à manutenção de Lula no poder.
Na verdade, Lula é o Übermensch dos especuladores que lucram como “nunca na história deste país”.
Sendo assim, quem, em perfeito juízo, pode supor que este ególatra passará, democraticamente, a faixa presidencial para, por exemplo, José Serra , ou mesmo Aécio Neves,  Marina Silva?
Pelo que já vimos de “inaugurações” de obras que sequer foram iniciadas, de desrespeito às leis eleitorais, do boicote às CPIs como a da Petrobras, do MST e tantos outros “deslizes”, temos o suficiente para imaginar o que será a “disputa” eleitoral em 2010.
E tem mais: o PT está comprando, com o nosso dinheiro, políticos, intelectuais, juízes, militares, o povo humilde com bolsa esmola e formando milícias com o MST, PCC, Sindicatos, ONGS, traficantes e outros, que recebem milhões e milhões de reais, para apoiar o PT e as falcatruas do Governo Lula.
Não podemos nem pensar em colocar como Presidente do Brasil uma mulher TERRORISTA, que passou a vida assaltando bancos, assassinando pessoas inocentes, arrombando casas, roubando e matando. Só uma pessoa internada num manicômio seria capaz de votar numa BANDIDA para ser a presidente de um País.   
Confiram.
Carlos Vereza
Ator e ex-petista

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Vídeo de entrevista com Ciro Gomes, coordenador da campanha da Dilma. Veja o que ele diz e depois decidam em quem votar.

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domingo, 24 de outubro de 2010

Faço minhas suas palavras, José, da primeira à última. (parte 2)

Carta ao Chico Buarque (continuação)

Mas devo concordar plenamente com o Lula ao menos numa questão em especial: quando acusa a elite de ameaçá-lo, ele tem razão. Explica o Aurélio Buarque de Hollanda, seu tio, que elite, do francês élite, significa “o que há de melhor em uma sociedade, minoria prestigiada, constituída pelos indivíduos mais aptos”. Poxa! Na mosca. Ele sabe que seus inimigos são as pessoas do povo mais informadas, com capacidade de análise, com condições de avaliar a eficiência e honestidade de suas ações. E não seria a primeira vez que essa mesma elite faz esse serviço. Essa elite lutou pela independência do Brasil, pela República, pelo fim da ditadura, pelas diretas-já, pela defenestração do Collor e até mesmo para tirar o Lula das grades da ditadura em 1980, onde passou 31 dias. Mas ela é a inimiga de hoje. E eu acho que é justamente aí que nós entramos.

Nós, que neste país tivemos o privilégio de aprender a ler, de comer diariamente, de ter pais dispostos a se sacrificar para que pudéssemos ser capazes de pensar com independência, como é próprio das elites - o que, a propósito, não considero uma ofensa -, não deveríamos deixar como herança para os mais jovens presentes de grego como Lula, Chávez, Evo Morales, Fidel - herói do Lula, que fuzila os insatisfeitos que tentam desesperadamente escapar de sua “democracia”. Nossa herança deveria ser a experiência que acumulamos como justo castigo por admitirmos passivamente ser governados pelo Lula, pelo Chávez, pelo Evo e pelo Fidel, juntamente com a sabedoria de poder fazer dessa experiência um antídoto para esse globalizado veneno. Nossa melhor herança será o sinal que deixaremos para quem vem depois, um claro sinal de que permanentemente apoiaremos a ética e a honestidade e repudiaremos o contrário disto. Da mesma forma que elegemos o bom, destronamos o ruim, mesmo que o bom e o ruim sejam representados pela mesma pessoa em tempos distintos.

Assim como o maior mal que a inflação causa é o da supressão da referência dos parâmetros do valor material das coisas, o maior mal que a impunidade causa é o da perda de referência dos parâmetros de justiça social. Aceitar passivamente a livre ação do desonesto é ser cúmplice do bandido, condenando a vítima a pagar pelo malfeito. Temos opção. A opção é destronar o ruim. Se o oposto será bom, veremos depois. Se o oposto tampouco servir, também o destronaremos. A nossa tolerância zero contra a sacanagem evitará que as passagens importantes de nossa História, nesse sanatório geral, terminem por desbotarem na memória de nossas novas gerações.

Aí, sim, Chico, acho que cada paralelepípedo da velha cidade, no dia 3 de outubro, vai se arrepiar.

Seu admirador número 1,
Zé Danon
José Danon é economista e
consultor de empresas

"Há tantos burros mandando em homens de inteligência que, às vezes, fico pensando se a burrice não é uma ciência?"
(Rui Barbosa)

Faço minhas suas palavras, José, da primeira à última. (parte 1)


Carta para o Chico Buarque
José Danon

"Chico, você foi, é e será sempre meu herói. Pelo que você foi pelo que você é e pelo que creio que continuará sendo. Por isso mesmo, ao ver você declarar que vai votar na Dilma “por falta de opção”, tomei a liberdade de lhe apresentar o que, na opinião do seu mais devoto e incondicional admirador, pode ser uma opção.
Eu também votei no Lula contra o Collor. Tanto pelo que representava o Lula como pelo que representava o Collor. Eu também acreditava no Lula. E até aprendi várias coisas com ele, como citar ditos da mãe. Minha mãe costumava lembrar a piada do bêbado que contava como se tinha machucado tanto. Cambaleante, ele explicava: “Eu vi dois touros e duas árvores, os que eram e os que não eram. Corri e subi na árvore que não era aí veio o touro que era e me pegou.” Acho que nós votamos no Lula que não era aí veio o Lula que era e nos pegou.

Chico, meu mestre, acho que nós, na nossa idade, fizemos a nossa parte. Se a fizemos bem feita ou mal feita, já é uma outra história. Quando a fizemos, acreditávamos que era a correta. Mas desconfio que nossa geração não foi tão bem-sucedida, afinal. Menos em função dos valores que temos defendido e mais em razão dos resultados que temos obtido. Creio que hoje nossa principal função será a de disseminar a mensagem adequada aos jovens que vão gerenciar o mundo a partir de agora. Eles que façam mais e melhor do que fizemos, principalmente porque o que deixamos para eles não foi grande coisa. Deixamos um governo que tem o cinismo de olimpicamente perdoar os “companheiros que erraram” quando a corrupção é descoberta.

Desculpe, senhor, acho que não entendi. Como é mesmo? Erraram? Ora, Chico. O erro é uma falha acidental, involuntária, uma tentativa frustrada ou malsucedida de acertar. Podemos dizer que errou o Parreira na estratégia de jogo, que erramos nós ao votarmos no Lula, mas não que tenham errado os zésdirceus, os marcosvalérios, os genoinos, dudas, gushikens, waldomiros, delúbios, paloccis, okamottos, adalbertos das cuecas, lulinhas, beneditasdasilva, burattis, professoresluizinhos, silvinhos, joãopaulocunhas, berzoinis, hamiltonlacerdas, lorenzettis, bargas, expeditovelosos, vedoins, freuds e mais uma centena de exemplares dessa espécie tão abundante,desafortunadamente tão preservada do risco de extinção por seu tratador. Esses não erraram. Cometeram crimes. Não são desatentos ou equivocados. São criminosos. Não merecem carinho e consolo, merecem cadeia.

Obviamente, não perguntarei se você se lembra da ditadura militar. Mas perguntarei se você não tem uma sensação de déjà vu nos rompantes de nosso presidente, na prepotência dos companheiros, na irritação com a imprensa quando a notícia não é a favor. Não é exagero, pergunte ao Larry Rother do New York Times, que, a propósito, não havia publicado nenhuma mentira. Nem mesmo o Bush, com sua peculiar e texana soberba, tem ousado ameaçar jornalistas por publicarem o que quer que seja. Pergunte ao Michael Moore. E olhe que, no caso do Bush, fazem mais que simples e despretensiosas alusões aos seus hábitos ou preferências alcoólicas no happy hour do expediente.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Sardenberg explica o golpe na Petrobras. E que golpe!

O golpe na Petrobras
 A operação, em termos simples:
1.   O governo vendeu para a Petrobrás 5 bilhões de barris de petróleo que estão enterrados em algum lugar dopré-sal.
Cobrou por isso uns R$ 72 bilhões. Logo, a Petrobrás ficou devendo essa grana, pelo
direito de lá na frente pesquisar, perfurar, explorar e finalmente retirar oóleo do fundo do mar.
2.   Em seguida, a Petrobrás abre seu capital e oferece ações no mercado. O governo central (Tesouro) compra parte destas ações, pelas quais deveria pagar à estatal uns R$ 45 bilhões. Mas como tem um crédito pelos barris "a futuro", abate apenas o valor da conta e continua credor da Petrobrás de cerca de R$ 27 bilhões.
Você pensa que o negócio acabou com a estatal mandando um cheque nesse valor
para o caixa do governo? Se pensou! Está na era da contabilidade pré-Lula. A Petrobrás não vai pagar, mas o governo federal vai registrar como receita.
Qualquer paralelo com a jogada do Superávit da PREVI e o BB, é mera verossimilhança - e assim vai fazer neste mês o maior superávit da história.
Ainda vai pegar parte desse dinheiro e emprestar para o BNDES fazer o quê? Pagar as ações da Petrobrás!
Resumo:
O governo não colocou um centavo, mas comprou mais ações da Petrobrás, aumentou sua participação e ainda recebeu de troco R$ 27 bilhões. Não é o máximo? Nada nesta manga, nada nesta outra e..., eis R$ 27 bilhões!
Além disso, o governo assume 51% das ações, com direito a voto e veto, nomeia a diretoria, traça estratégias de administração e, praticamente, estatiza a Petrobrás.
Agora a Petrobrás, na prática, acaba sendo do governo, podendo-se pressupor toda a espécie de safadeza que virá no governo seguinte.
Acha que acabou? Nada disso. Se você dividir 72 bilhões por 5 bilhões vai encontrar o valor
de R$14,4 reais ou US$ 8,70, o preço do barril de petróleo que está super faturado.
Na crise do petróleo 1973, a maior da história, chegou a US 11,40 (valores atualizados).
Só um detalhe: analistas acreditam que a tendência será do preço do petróleo cair ainda mais se for confirmada uma segunda crise financeira que está por vir.
E assim, o governo Lula vai estatizando a maior empresa do Brasil (a quarta do mundo), sem pôr um centavo do próprio bolso, tudo na cara dos idiotas brasileiros, e na da oposição mais sem qualidade que este país conheceu!

Carlos Alberto Sardenberg
Jornal O Globo, de 02/10/10.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Até quando o Brasil pode suportar?

O mal maior
Pratico a cidadania brasileira há exatos 60 anos. Durante a maior parte desse tempo, fui otimista, acreditei em um país melhor, mais justo, mais feliz. Mesmo nos momentos mais adversos, como nos anos da ditadura militar, jamais deixei de sonhar, de fazer planos, de enxergar no fim do túnel a volta por cima e entender que todas as nossas provações serviriam de inspiração e bandeira para chegarmos, enfim, à terra prometida.
Dois mandatos do presidente Lula conseguiram mudar meu estado de espírito. Um profundo desânimo substituiu meus pensamentos positivos e, pela primeira vez na vida, me sinto tentado a entregar os pontos. Nosso ex-metalúrgico falastrão conseguiu inocular no Brasil um vírus devastador, capaz de exterminar os valores fundamentais que lastreiam uma nação de verdade. Os efeitos da doença são cada vez mais evidentes e graves. Para tornar tudo pior, a maioria dos brasileiros não percebe o mal que se alastra e festeja as supostas vitórias que o governo alardeia, mesmo desconfiando que há algo de podre no ar.
Enquanto se discute o crescimento do PIB, a taxa de inflação, o avanço das exportações, o acordo com o Irã, a educação fica em terceiro plano, a ética é ridicularizada, as leis são solenemente ignoradas, fins espúrios justificam meios injustificáveis, os canalhas são tolerados, prega-se a divisão do país entre pobres e ricos, brancos e negros, contras e a favor do que preconiza o nosso grande líder. Defende-se furiosamente a intolerância como virtude dos fortes, o cinismo como atributo inerente ao político bem sucedido, a grandeza de caráter como característica dos fracos, a mentira como hábito saudável e necessário.
Nunca na história deste Brasil foi tão fácil e proveitoso roubar, enganar, trair, mentir, sem a menor ameaça de punição. Ainda que os delitos sejam filmados, os culpados confessem, e, até mesmo, a justiça os condene. Não há salvação para um país sem valores e princípios, garante-nos a História, não importa a pujança econômica do estado ou a satisfação momentânea dos seus cidadãos. As terríveis conseqüências desse período de trevas podem tardar, mas acabam caindo sobre todos nós, culpados e inocentes. São feridas profundas, que levam muito tempo para cicatrizar e significam um enorme retrocesso na nossa busca por uma pátria melhor.
Por tudo que vejo, acredito, infelizmente, na vitória da continuidade nas próximas eleições. Na verdade, aposto em um acirramento de todos os pontos negativos do governo atual, piorando o que já é ruim.
Quanto a entregar os pontos, como disse no início desse texto, esqueçam! Fico só na tentação. Sigo em frente, acreditando que as coisas podem mudar e brigando para que elas mudem. Recomendo fortemente que todos façam o mesmo, especialmente no próximo dia 31 de outubro.
Paulo Eboli

A economia brasileira de FHC a Lula: fatos que explicam tudo.

Como chegamos até aqui

Crescimento econômico se constrói ao longo do tempo.  Em economia as causas e conseqüências não são absolutamente imediatas.
Um exemplo: o Obama está passando o maior aperto pelo desajuste econômico que herdou de gestões anteriores. Ele não tem culpa, mas está sendo muito cobrado politicamente
A abertura da economia, o plano Real (que o PT votou contra), as privatizações, a lei da responsabilidade fiscal, a reforma da previdência (pouca, mas feita parte pelo FHC e parte pelo Lula no primeiro mandato), mudanças na lei de empresas estrangeiras, bolsa escola que virou bolsa família e o ajuste das contas públicas implementado pelo governo (FHC 2 e LULA1), tornaram este país mais competitivo. Com uma ajuda do crescimento mundial de 2003 a 2007(o maior desde a segunda guerra), que impulsionou nossas exportações e trouxe dólares para o Brasil, o governo Lula viveu anos de mais crescimento.
O governo FHC precisou consolidar o plano Real em anos terríveis (crise do México 1995, crise da Ásia em 1997 crise da Rússia em 1998 , crise aqui no Brasil em 1999 , crise da Argentina em 2001 e finalmente crise eleitoral em 2002, que ocorreu por medo que o Partido dos Trabalhadores desse o calote que sempre pregara). Era necessário manter o câmbio fixo (1 para 1) para que os produtos importados e cotados em dólares permanecessem baratos, trazendo a inflação para baixo e quebrando aquela mania de indexar tudo que nós brasileiros tínhamos. Para manter o câmbio fixo , o país precisava ter reservas em dólares para poder vender se houvesse pressão de compra. Em cada crise mencionada acima, havia uma fuga de dólares e o Banco Central tinha que subir os juros para atrair reservas de volta, sob pena de ter que desvalorizar o Real, o que traria a inflação de volta.
Os juros altos quebravam o governo por duas vias: 1) o governo  pagava mais juros nos títulos públicos.2)  desacelerava a economia, diminuindo a arrecadação de impostos. O governo FHC teve que administrar caixa baixa e a prioridade era controlar a inflação. Sem a inflação baixa nada disso que se discute sobre crescimento hoje em dia estaria sendo discutido. Além disso, o maior beneficiado pela inflação baixa é o mais pobre que perde valor do seu salário e não participa da ciranda financeira. O plano Real foi importantíssimo socialmente.
No meu modesto ponto de vista, o maior mérito do Lula foi ter tido a coragem de romper com que era pregado pelo seu partido e continuado o que foi iniciado pelo FHC tanto no controle da inflação (quando surpreendentemente colocou o Henrique Meirelles no Banco Central), e ter continuado o ajuste necessário nas contas públicas. Recomendo o livro que o Palocci escreveu depois que caiu do governo naquele lamentável episódio. Se chama Sobre Cigarras e Formigas e conta tudo o que aconteceu em termos econômicos naquela época. Ele se cercou de economistas apartidários da maior qualidade.
Infelizmente , no final do primeiro governo , com o país e a arrecadação crescendo, o governo estava ideologicamente rachado: o Palocci , o Paulo Bernardo do Planejamento e o Henrique Meirelles  gostariam de continuar  com a seriedade nos gastos públicos, fazendo pelo social e aumentando o nível de investimento do governo para podermos crescer ainda mais . O lado da Dilma e do Mantega queria aumentar os gastos de custeio do governo, visando principalmente reeleger o Lula. Em especial a Dilma se opunha frontalmente a “mania “do Palocci em ter seriedade com gastos públicos. Sabemos qual lado prevaleceu. As contas brasileiras estão se deteriorando. Fizeram artifícios contábeis para esconder isto, como lançar o que o BNDES( que é governo ) deve para o Tesouro como receita do governo. Sabemos que se este dinheiro for pago será num tempo que tende ao infinito.  No IPEA , órgão do governo que deveria ser técnico e fazer pesquisa econômicas , os economistas que  botam o dedo neste ferida foram postos na geladeira. É a primeira vez que vejo o IPEA com conotação política
Em suma, se continuar assim, daqui a alguns anos poderemos estar quebrados de novo. Neste ano de crescimento forte e recorde de arrecadação estamos conseguindo a proeza de aumentar o déficit público! Sou filha da dona Frida e quando a matemática diz que assim não vai dar certo, pode acreditar que não vai. Podemos estar perdendo a chance de crescer muito mais e construir um país melhor. O governo tem uma arrecadação de cerca de 38% do PIB e pede emprestado mais 3,5% para cobrir o déficit. O governo só investe ( infra-estrutura , tecnologia etc...)  cerca de 1% do PIB( com PAC e tudo)! Sem investimento é impossível crescer no longo prazo! Este ano o PIB vai crescer perto de 8% e os gastos de custeio do governo (funcionalismo , máquina etc..) aumentaram 17%!! Tudo pela eleição da Dilma. O próximo governo, seja qual for, vai ter que fazer um ajuste nas contas públicas depois desta farra eleitoral e provavelmente vem imposto aí.
A Grécia não quebrou da noite para o dia. Muitos governos concederam benefícios, ganhando votos com isso, e um dia se descobriram quebrados.
A Dilma hoje anda com o Palocci a tiracolo para atrair credibilidade e os votos dos que se preocupam com as contas públicas. Mas ela atirava contra as idéias dele. 
Quando o Lula diz que “nunca dantes neste país” e faz o FHC ser o que entregou a “herança maldita”, ele está mentindo e sabe disso. Isto é não ser estadista e qualquer historiador honesto mostra e mostrará isto.
É injusto, e como brasileira , fico extremamente triste.  O FHC é um grande injustiçado.  
O Lula não usou a sua grande popularidade para mandar sequer um projeto de reforma (tributária ,trabalhista , política etc...).   Perdemos uma oportunidade de ouro de tornar o país mais moderno e eficiente. Reformas são difíceis e o Lula não teve vontade política de implementá-las. Preferiu focar seu capital político na eleição da Dilma e se manter no poder.  Não é um estadista!
Existe uma ala poderosa no partido dos trabalhadores que tem um projeto de poder e não de país. Não são todos, mas pelo que a Dilma dizia no passado recente, tenho receio que esta parte prevaleça. Pode ser que ela resolva dar uma de estadista, mas tenho cá minhas profundas dúvidas.
 Não vou lhe aborrecer mais com aulas de economia. Envio um arquivo sobre dados das privatizações( outra fonte de mentiras que vai contra o interesse do povo brasileiro) que escrevi em 2006. Os números falam por si. (ah! Como aprecio a matemática, que não aceita mentiras nem desaforos!)
Voto no Serra conscientemente e sem ódio no meu coração.
Que Deus ajude o Brasil

Nora Raquel Zygielszyper
Professora da Fundação Getúlio Vargas e do Departamento de Economia PUC do Rio de Janeiro   

Leia o que diz Ferreira Goulart sobre a eleição presidencial

VAMOS ERRAR DE NOVO?

Faz muitos anos já que não pertenço a nenhum partido político, muito embora me preocupe todo o tempo com os problemas do país e, na medida do possível, procure contribuir para o entendimento do que ocorre. Em função disso, formulo opiniões sobre os políticos e os partidos, buscando sempre examinar os fatos com objetividade.

Minha história com o PT é indicativa desse esforço por ver as coisas objetivamente. Na época em que se discutia o nascimento desse novo partido, alguns companheiros do Partido Comunista opunham-se drasticamente à sua criação, enquanto eu argumentava a favor, por considerar positivo um novo partido de trabalhadores. Alegava eu que, se nós, comunas, não havíamos conseguido ganhar a adesão da classe operária, devíamos apoiar o novo partido que pretendia fazê-lo e, quem sabe, o conseguiria.

Lembro-me do entusiasmo de Mário Pedrosa por Lula, em quem via o renascer da luta proletária, paixão de sua juventude. Durante a campanha pela Frente Ampla, numa reunião no Teatro Casa Grande, pela primeira vez pude ver e ouvir Lula discursar.

Não gostei muito do tom raivoso do seu discurso e, especialmente, por ter acusado “essa gente de Ipanema” de dar força à ditadura militar, quando os organizadores daquela manifestação ─ como grande parte da intelectualidade que lutava contra o regime militar ─ ou moravam em Ipanema ou frequentavam sua praia e seus bares. Pouco depois, o torneiro mecânico do ABC passou a namorar uma jovem senhora da alta burguesia carioca.

Não foi isso, porém, que me fez mudar de opinião sobre o PT, mas o que veio depois: negar-se a assinar a Constituição de 1988, opor-se ferozmente a todos os governos que se seguiram ao fim da ditadura ─ o de Sarney, o de Collor, o de Itamar, o de FHC. Os poucos petistas que votaram pela eleição de Tancredo foram punidos. Erundina, por ter aceito o convite de Itamar para integrar seu ministério, foi expulsa.

Durante o governo FHC, a coisa se tornou ainda pior: Lula denunciou o Plano Real como uma mera jogada eleitoreira e orientou seu partido para votar contra todas as propostas que introduziam importantes mudanças na vida do país. Os petistas votaram contra a Lei de Responsabilidade Fiscal e, ao perderem no Congresso, entraram com uma ação no Supremo a fim de anulá-la. As privatizações foram satanizadas, inclusive a da Telefônica, graças à qual hoje todo cidadão brasileiro possui telefone. E tudo isso em nome de um esquerdismo vazio e ultrapassado, já que programa de governo o PT nunca teve.

Ao chegar à presidência da República, Lula adotou os programas contra os quais batalhara anos a fio. Não obstante, para espanto meu e de muita gente, conquistou enorme popularidade e, agora, ameaça eleger para governar o país uma senhora, até bem pouco desconhecida de todos, que nada realizou ao longo de sua obscura carreira política.

No polo oposto da disputa está José Serra, homem público, de todos conhecido por seu desempenho ao longo das décadas e por capacidade realizadora comprovada. Enquanto ele apresenta ao eleitor uma ampla lista de realizações indiscutivelmente importantes, no plano da educação, da saúde, da ampliação dos direitos do trabalhador e da cidadania, Dilma nada tem a mostrar, uma vez que sua candidatura é tão simplesmente uma invenção do presidente Lula, que a tirou da cartola, como ilusionista de circo que sabe muito bem enganar a plateia.

A possibilidade da eleição dela é bastante preocupante, porque seria a vitória da demagogia e da farsa sobre a competência e a dedicação à coisa pública. Foi Serra quem introduziu no Brasil o medicamento genérico; tornou amplo e efetivo o tratamento das pessoas contaminadas pelo vírus da Aids, o que lhe valeu o reconhecimento internacional. Suas realizações, como prefeito e governador, são provas de indiscutível competência. E Dilma, o que a habilita a exercer a Presidência da República? Nada, a não ser a palavra de Lula, que, por razões óbvias, não merece crédito.

O povo nem sempre acerta. Por duas vezes, o Brasil elegeu presidentes surgidos do nada ─ Jânio e Collor. O resultado foi desastroso. Acha que vale a pena correr de novo esse risco?

Ferreira Goulart